Corrida com Responsabilidade: CBAt em parceria com SBMEE e ABRACEO lançam diretrizes integradas de segurança para corridas de rua

Corrida com Responsabilidade: CBAt em parceria com SBMEE e ABRACEO lançam diretrizes integradas de segurança para corridas de rua

CORRIDA SEGURA!

Este documento integra o Anexo III da Norma 7 da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), que estabelece os requisitos técnicos e operacionais para a realização de corridas de rua no Brasil. As recomendações aqui apresentadas têm caráter oficial e devem ser observadas por organizadores, diretores médicos e equipes de saúde em todo o território nacional.

Documento técnico consolida recomendações médicas, operacionais e preventivas para eventos de corrida de rua em todo o Brasil

A segurança nas corridas de rua deixou de ser uma preocupação isolada de organizadores para se tornar uma responsabilidade compartilhada e agora ela ganha respaldo técnico formal. A Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBMEE), em parceria com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e a Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (ABRACEO), publicaram as diretrizes que compõem o Plano de Segurança e Emergência em Corridas de Rua : resultado de mais de um ano de trabalho conjunto, debates multissetoriais e alinhamento com os melhores protocolos internacionais.

O documento nasce do Termo de Cooperação Mútua firmado entre as três entidades e representa um marco para a corrida de rua brasileira: pela primeira vez, a perspectiva médico-esportiva, a visão dos organizadores e os critérios técnico-regulatórios convergem em um único instrumento de referência.

Por que este documento importa

O Brasil é um dos maiores mercados de corrida de rua do mundo. Mais de três milhões de pessoas cruzam linhas de chegada por ano atletas de elite, corredores amadores, iniciantes. Esse volume exige que a infraestrutura de segurança evolua na mesma velocidade que o crescimento do esporte. Incidentes cardíacos, colapsos por hipertermia e emergências traumáticas em percurso são cenários que podem ser prevenidos ou gerenciados com muito mais eficiência quando há planejamento, equipe capacitada e protocolo claro.

É exatamente esse vácuo que as diretrizes vêm preencher.

Estrutura das recomendações

O plano parte de um princípio central: a integridade física do participante requer atuação integrada entre organização, equipe médica e o próprio atleta. Cada parte tem um papel definido e nenhuma parte substitui a outra.

Ao atleta cabe a responsabilidade primária pela sua condição de saúde, pelo preparo físico adequado à distância escolhida e pela adesão às orientações médicas individuais. Inscrever-se em uma corrida sem avaliação prévia não é coragem é risco desnecessário.

Aos organizadores, o documento oferece parâmetros objetivos: número mínimo de desfibriladores externos automáticos (DEAs) distribuídos estrategicamente no percurso, ambulâncias e motolâncias posicionadas em pontos críticos, postos de hidratação em intervalos regulares, rotas de acesso a hospitais de referência mapeadas com antecedência e checklist obrigatório de vistoria do percurso nas 24 horas anteriores à largada.

O papel do Diretor Médico

Uma das recomendações de maior impacto é a presença obrigatória do Diretor Médico em eventos de maior porte. Para corridas que almejam selos internacionais de qualidade, esse profissional deixa de ser opcional e passa a ser critério de habilitação.

O Diretor Médico não é apenas um prestador de serviços contratado na véspera. É o responsável técnico pelo Planejamento Detalhado e Individualizado da Prova documento que deve ser elaborado com antecedência mínima de 30 dias e considerar variáveis como distância, perfil altimétrico, número de participantes, temperatura e umidade previstas, capacidade dos hospitais locais e características das vias utilizadas.

Esse planejamento é a espinha dorsal da segurança do evento. Sem ele, toda a logística médica opera no improviso.

Parâmetros técnicos alinhados às melhores práticas globais

As recomendações foram construídas com base nas diretrizes da World Athletics (WA), do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da American Heart Association (AHA). Isso significa que o padrão proposto para as corridas brasileiras está alinhado ao que se pratica nos maiores eventos do mundo.

O documento também aborda situações específicas: presença de atletas de elite (com corredores exclusivos nos primeiros metros para evitar colisões na largada), planos de contingência para condições climáticas extremas, protocolos de controle de emergências em massa e critérios de comunicação interna entre equipes durante o evento.

Segurança não é burocracia é cultura

A publicação dessas diretrizes não é um ato regulatório punitivo. É um convite à construção de uma cultura de segurança consistente no atletismo de rua nacional. A SBMEE, a CBAt e a ABRACEO entendem que normatizar é proteger :

proteger quem corre, quem organiza e quem cuida.

O documento completo está disponível para consulta pública e serve como referência técnica para organizadores, diretores médicos, equipes de saúde e federações estaduais em todo o Brasil.

A corrida de rua brasileira está crescendo. Que esse crescimento seja, também, cada vez mais seguro.

 

     

 

Referência:

https://cbat.org.br/noticia/107213/corrida-segura-cbat-publica-plano-de-seguranca-e-emergencia-em-corridas-de-rua