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Muita ansiedade? Caia na água

Estudos revelam que a prática regular de exercícios aquáticos, como a hidroginástica e a natação, atua no tratamento complementar de pacientes com transtorno de ansiedade. Não é difícil reconhecer uma pessoa ansiosa. O dicionário Houaiss já dá algumas pistas: é todo indivíduo aflito, ofegante, angustiado. Se alguém o seleciona para uma entrevista de emprego na sexta-feira, por exemplo, pode ter certeza de que, a partir de segunda, o ansioso já começará a passar mal. Na véspera do grande dia, então, será capaz de sentir falta de ar, boca seca e aperto no coração. A sensação de que algo - ou, quem sabe, tudo - pode dar errado é incontrolável para um portador de transtorno de ansiedade.

"A ansiedade que a gente sente no dia a dia é mais do que saudável. Afinal, ela protege o indivíduo contra a própria extinção. Mas, quando alguns sintomas começam a causar um sofrimento muito grande, a ponto de impedir a pessoa de exercer as suas atividades normalmente, ela já pode ser considerada patológica. Nesse caso, convém procurar ajuda médica", alerta o psiquiatra Tito Paes de Barros Neto, do Ambulatório de Ansiedade (Amban) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Em torno dos 30°C, a água aumenta a sensação de relaxamento muscular e de bem-estar

O EFEITO TERAPÊUTICO

A cautela se justifica. Em casos extremos, como depressão e síndrome do pânico, assegura Antonio Nardi, da UFRJ, o uso de remédios é fundamental. "Passada a fase mais aguda do transtorno, os exercícios físicos são tão fundamentais quanto os medicamentos. Um, porém, não substitui o outro. Eles são complementares. Nesses casos, o tratamento ideal está na associação de três fatores igualmente importantes: os medicamentos, a psicoterapia e os exercícios físicos", destaca o psiquiatra.

E se quem sofre de transtorno de ansiedade quiser começar, ainda hoje, a dar as primeiras braçadas? Que exercício aquático ele deve fazer? O mais indicado, responde Viviane Buzzo, é a hidroginástica. E por um motivo simples. "É o que proporciona ao praticante o ambiente mais propício à interação social", resume.

FÍSICO SAUDÁVEL

A natação, além de não possibilitar maior interação social entre os praticantes, também apresenta algumas restrições. "No caso de indivíduos com insuficiência cardíaca, a posição horizontal pode provocar uma descompensação por aumentar subitamente o retorno venoso", explica o cardiologista José Kawazoe Lazzoli. O mesmo pode ser dito do polo aquático. "O polo só deve ser praticado por pessoas com maior resistência física e força muscular. E, principalmente, com diagnóstico físico saudável", aconselha Viviane.

Diagnóstico físico saudável, aliás, é pré-requisito fundamental para quem quiser se aventurar nas raias de quiser se aventurar nas raias de uma piscina. Não é qualquer aspirante a César Cielo que pode se tornar um recordista mundial dos 100 metros livres do dia para a noite. "Exercícios aquáticos podem ser realizados por pessoas de qualquer idade, mas sempre com orientação especializada. Sem essa orientação, eles podem trazer os mais variados problemas, como dores musculares e lesões nas articulações", adverte Antonio Nardi.

FOBIA DE ÁGUA

Outro importante fator de restrição à prática de exercícios aquáticos é a hidrofobia - ou aversão patológica à água. Neste caso, seus portadores não conseguem sequer chegar perto da borda de uma piscina sem sentir o coração disparar, a respiração ficar ofegante e as pernas começarem a tremer. Em algumas situações, podem sofrer ataques de pânico ou mesmo chegar ao desmaio.

O que fazer numa situação dessas? Quem responde é o psiquiatra Tito Paes de Barros Neto, do Amban. Autor do livro Sem medo de ter medo (Editora Casa do Psicólogo), ele recomenda a dessensibilização - técnica desenvolvida pelo psiquiatra sul-africano Joseph Wolpe que consiste em expor o paciente aos objetos de sua fobia e fazê-lo imaginar situações que provocam tremores, suores e palpitações.

"O ideal é traçar um planejamento de exposição e enfrentamento bem gradual. Nesse caso, poderíamos começar encorajando o fóbico a entrar em contato com água na pia do banheiro. Em seguida, entraríamos na parte rasa da praia. Depois, avançaríamos até a altura da cintura e assim por diante. Se a pessoa se sentir à vontade para praticar exercícios aquáticos, ela já pode se considerar curada", avisa o psiquiatra.

Se você é do tipo que sofre por antecedência, não esquente a cabeça. Em vez de perder tempo com suposições do tipo "E se?", matriculese num clube de natação ou numa academia de hidroginástica. Quando a ansiedade é leve ou moderada, alguns simples ajustes na rotina, como a prática regular de exercícios aquáticos, são capazes de minimizar os sintomas do transtorno.

MENOS TENSÃO

Um recente estudo da Universidade Estadual de Maringá (PR) mostrou que duas sessões semanais de hidroginástica, cada uma com 50 minutos, durante três meses, são suficientes para reduzir os níveis de ansiedade em mulheres já diagnosticadas. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), esse tipo de transtorno afeta 25% da população mundial. A previsão é que três mulheres para cada homem sofram com o problema.

A pesquisa foi feita em 2008 com 16 voluntárias na faixa dos 36 anos, todas em tratamento medicamentoso aliado à terapia comportamental. Das 16 mulheres estudadas, oito adotaram a prática da hidroginástica como complemento terapêutico enquanto o restante manteve o tratamento convencional. Segundo uma das autoras do trabalho, a professora de Educação Física Viviane Buzzo, da Fundação Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Mandaguari (Fafiman), as voluntárias que adotaram a prática da hidroginástica apresentaram queda nos índices de tensão, depressão, fadiga e raiva.

A explicação para tal efeito passa pelos benefícios que todo esporte proporciona. "Qualquer tipo de exercício físico libera endorfina no sistema nervoso central. São essas substâncias que produzem um efeito tranquilizante e analgésico no organismo", explica o psiquiatra Antonio Egídio Nardi, do Laboratório de Pânico e Respiração do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O que esses esportes fazem por você

1. Fortalece a musculatura

2. Aumenta a capacidade respiratória

3. Melhora a eficiência cardíaca

4. Promove relaxamento muscular

5. Reduz a gordura corporal

6. Proporciona bem-estar físico e psicológico

7. Estimula interação social

8. Alivia a tensão e o estresse

9. Combate a insônia e a obesidade

10. Favorece a reeducação postural

UM MERGULHO NO BEM-ESTAR

No entanto, as atividades aquáticas levam certa vantagem sobre as terrestres. "Ao controlar a respiração dentro da água, o aluno aprende também a controlar a ansiedade. Os exercícios respiratórios acontecem de forma natural pelo simples fato de o indivíduo estar imerso no meio líquido", argumenta a coordenadora do departamento Aquático da Companhia Athlética em São Paulo, Fabiana Tassi.

Outro ponto positivo está relacionado à temperatura da água. "Quando está em torno dos 30°C, a água potencializa a sensação de relaxamento muscular e de bem-estar psicológico", assegura Viviane Buzzo.

Mas para produzirem o efeito desejado, os exercícios precisam ser praticados regularmente. "O indivíduo que pratica esportes de 3 a 5 vezes por semana tem menos chances de apresentar doenças e mantém sua autoestima mais adequada para enfrentar as situações do cotidiano", recomenda Antonio Nardi.

O presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte (SBME), o cardiologista José Kawazoe Lazzoli, admite que a prática regular de exercícios físicos é capaz de reduzir o nível de ansiedade e atenuar os sintomas da depressão. Mas faz uma ressalva: "Tais benefícios não se aplicam a casos graves, que devem ser avaliados e tratados por um especialista em Psiquiatria. O esporte só pode ajudar em casos leves ou no tratamento complementar da ansiedade e da depressão", acrescenta.

 

Fonte: http://www.facebook.com/


 

   
     
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