Cerveja
liberada?
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Muita
gente deve ter espumado de alegria, sobretudo os
apreciadores de uma loira gelada — e são
muitos! Cientistas da Universidade de Granada e
do Conselho Superior de Investigações
Científicas da Espanha liberaram o consumo
de cerveja para atletas. E isso está longe
de ser aquele tipo de conversa jogada fora na mesa
de um botequim. Os pesquisadores espanhóis
recrutaram 16 homens saudáveis, com idade
entre 20 e 30 anos. Todos praticavam atividade física
regularmente e a silhueta de nenhum deles denunciava
a protuberância de uma barriga de chope.
A
Essa moçada teve de suar a camisa durante
60 minutos correndo em uma esteira sob uma temperatura
ambiente de 35 °C. A suadeira rolou solta em
duas ocasiões, com um intervalo de três
semanas entre cada uma delas. |
Concluída
uma das provas, os participantes mataram a sede com água
na quantidade desejada. Numa outra, se reidrataram basicamente
com 660 mililitros de cerveja, quase o equivalente a uma
garrafa grande no Brasil. Antes, logo após e cerca
de duas horas depois do exercício, o time hispânico
analisou uma série de parâmetros, como o
nível de hidratação, que poderiam
ser influenciados pelo álcool da bebida —
ora, sabe-se que essa substância faz o corpo eliminar
líquidos.
E
não é que a breja, apelido carinhoso que
os paulistanos deram à opção mais
pedida em dez entre dez bares brasileiros, desceu redondo?
Os cientistas constataram que ela foi capaz de restabelecer
as perdas hídricas de maneira tão eficiente
quanto a água e sem nenhum prejuízo aparente.
Em outras palavras, a cervejinha é uma boa maneira
de hidratar o organismo após o exercício
físico. “Uma lata de 356 mililitros contém
326 de água”, justifica Antonio Carlos L.
Campos, professor de nutrição da Universidade
Federal do Paraná. Mas é preciso ressaltar,
e os estudiosos espanhóis fizeram questão
disso, que o consumo deve ser moderado. “A recomendação
diária seria de duas a três latas para os
homens e de uma a duas para as mulheres”, contabiliza
Juan Ramon Barbany Cairo, professor de fisiologia do exercício
da Universidade de Barcelona, que participou do simpósio
Cerveja, Esporte e Saúde, no qual foi apresentado
o trabalho espanhol.
Mas
nem todo mundo engole essa história de cerveja
liberada. É o caso de José Kawazoe Lazzoli,
presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva.
“Ela não traz nenhum benefício para
atletas ou praticantes de atividade física”,
sentencia. “Para exercícios com duração
acima de uma hora, é importante a reposição
de água, carboidratos e eletrólitos, substâncias
encontradas em bebidas isotônicas.” E, para
atividades de intensidade moderada a alta, com até
60 minutos de duração, o especialista não
titubeia em recomendar aquela fórmula conhecida
de todos: H2O. Querelas à parte, o que se sabe
é que a cerveja não é só água,
não. “Ela é altamente nutritiva”,
diz Antonio Carlos L. Campos. “Além de ser
fonte de energia e proteínas, é rica em
vitamina B, sais minerais e antioxidantes.”
Por
falar nisso, a bebida está repleta de flavonoides,
poderosos agentes antirradicais livres, moléculas
danosas acusadas de semear doenças diversas. Essa
substância está por trás da boa fama
que o vinho ganhou nos últimos anos, especialmente
no quesito prevenção de males cardiovasculares.
“Numa
dieta rica em carne branca, frutas e verduras, os benefícios
da cerveja são semelhantes aos do vinho”,
diz o espanhol Cairo. E vitaminada é um adjetivo
que lhe cai bem. A bebida é um manancial de folato,
a outra alcunha do ácido fólico, nutriente
capaz de prevenir tumores no cólon, na bexiga e
nos pulmões, além de afastar a anemia. Tamanho
atributo nutricional se justifica: é que o lúpulo
e o malte, ingredientes da fórmula dessa preferência
nacional, contêm doses generosas de folato. Há
um senão: o álcool poderia dificultar a
absorção da vitamina. Quanto, ainda não
se sabe. Mas, para não estragar a festa, o melhor
é fazer um brinde à sua saúde!
fonte:
Fábio de Oliveira e Paula Desgualdo, Revista Saúde.
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