Mitos
e Verdades Sobre Alongamento e Flexibilidade
Inúmeros
são os estudos realizados que afirmam diversos
benefícios e prejuízos dos exercícios
de alongamento e ganhos de flexibilidade. Quanto à
prevenção de lesões, muitos são
os autores que defendem a idéia de que o alongamento
tem uma importante ação preventiva. Porém,
podemos observar que a maioria dos que são a favor
desta idéia, destacam o alongamento como parte
importante do treinamento e não como sendo apenas
alguns exercícios preparatórios antes do
treino. Em se tratando de exercícios de alongamento
após
esforços físicos, parece que o ideal são
exercícios moderados de alongamento para evitar
um encurtamento muscular, não devendo, portanto,
serem utilizados exercícios visando ganhos de flexibilidade,
pois o músculo fatigado não pode responder
prontamente ao reflexo de proteção Almeida;
Jabur (2006).
Alongamento
é o termo usado para descrever os exercícios
físicos que aumentam o comprimento das estruturas
dos tecidos moles e, conseqüentemente, a flexibilidade.
O autor também considera flexibilidade como a capacidade
física responsável pela máxima amplitude
de movimento músculo articular de uma ou mais articulações
sem o risco de lesão Achour (1996).
A
flexibilidade é tão importante para atletas
como para pessoas sedentárias. Uma vez que a amplitude
articular de determinada articulação esteja
comprometida, alguma limitação se manifestará
e poderá comprometer o desempenho esportivo, laboral
ou de atividades diárias. Os exercícios
de alongamento tendem a restabelecer níveis satisfatórios
de mobilidade articular e reduzir tensões musculares,
resultando numa melhor mecânica articular. No indivíduo
sadio, a amplitude articular é influenciada pelos
ligamentos, comprimento dos músculos e tendões,
e tecidos moles. Já em pessoas com limitações
patológicas, os problemas podem ser agravados por
processos inflamatórios, redução
da quantidade de líquido sinovial, presença
de corpos estranhos na articulação e lesões
cartilaginosas Marchand (2002).
No
indivíduo sadio a amplitude articular é
influenciada pêlos ligamentos, comprimento dos músculos
e tendões, e tecidos moles. Já em pessoas
com problemas patológicos, as limitações
podem ser agravadas por processos inflamatórios,
redução da quantidade de líquido
sinovial, presença de corpos estranhos na articulação
e lesões cartilaginosas (WERLANG, 1997).
O
bom nível de flexibilidade varia de acordo com
a necessidade de cada um, logo, a boa flexibilidade é
aquela que permite ao indivíduo realizar os movimentos
articulares, dentro da amplitude necessária durante
a execução de suas atividades diárias,
sem grandes dificuldades e lesões (BLANKE, 1997).
O
sedentário tende a ter menor grau de flexibilidade
que o indivíduo ativo e este fato é agravado
com o passar dos anos, pois, o nível de flexibilidade
tende a diminuir e com isso aumentam os riscos de: lesões,
dores, problemas posturais, e a realização
de atividades diárias (WERLANG, 1997).
Alongamento
e prevenção de lesões
O
uso de exercícios de alongamento para aumentar
a flexibilidade é, geralmente, baseado na idéia
de que ele pode diminuir a incidência, a intensidade
ou a duração da lesão músculo
tendinosa e articular. Uma extensibilidade articular mínima
parece ser vantajosa em alguns esportes e atividades para
prevenir a distensão muscular. Em outras palavras,
parece ser uma amplitude de flexibilidade ideal ou favorável
que irá prevenir a lesão quando os músculos
e articulações forem superalongados acidentalmente
Alter (1999).
O
alongamento protege as juntas e músculos contra
danos, pois melhora o suprimento sanguíneo nessas
estruturas mantendo-as saudáveis, além de
ajudar a aquecer os músculos preparando-os para
exercícios mais intensos. Bradford (2004).Entretanto,
aconselhasse não realizar alongamentos, passivos,
próximo de um esforço, pois, eles são
fontes de pernas “moles”, “pesadas”
e de lesões Geoffroy (2001). Porém, é
importante lembrar que tal resposta (esse enfraquecimento
muscular) é de curta duração, pois,
a longo prazo, além de não haver diminuição
de força muscular com os exercícios de alongamento,
estes podem favorecer os exercícios de força
Achour (2004) .
Não
foram encontradas evidências suficientes para comprovar
que o alongamento previne lesões, mas, destaca-se
a importância do alongamento no dia-a-dia de pessoas
que passam muito tempo em frente ao computador ou dentro
do carro paradas Deardorff (2004).
Pode
ser um efeito meramente psicológico que faz com
que a maior parte das pessoas envolvidas com esporte acredite
que o aumento da flexibilidade diminui as lesões.
Talvez seja um sincero desejo de acreditar em alguma coisa
que faça sentido. Porém deve ser reiterado
que estudos controlados que comprovem que o aumento da
flexibilidade previne lesões não existe.
Todavia, no treinamento de sedentários e atletas,
com o aumento da flexibilidade e da resistência
muscular localizada, os riscos de lesões em algumas
articulações diminuem consideravelmente,
apesar do aumento da carga de trabalho a que aquelas pessoas
são submetidas em função do progresso
do treinamento Dantas (2003).
Alongamento
pós-exercício
Na
década de 60 foram realizados inúmeros experimentos
por meio de alongamento estático, após exercícios
físicos e verificou-se redução da
atividade eletromiográfica e da dor muscular Achour
(2004). Porém, um estudo realizado em 1989, não
confirma os resultados benéficos do alongamento
estático ou do aquecimento na dor muscular tardia.
O esforço físico provoca isquemia e esta,
ao menos em parte, ocasiona a dor muscular. Entretanto,
somente a isquemia não causa dor e o acúmulo
de ácido lático não parece ocasionar
a dor, pois pessoas com síndrome de MacCardle,
incapazes de produzir ácido lático pela
defi ciência de miofosfolirase, apresentam dor isquêmica
numa extensão maior que pessoas normais .
Os
exercícios de alongamento no final do esforço
físico tem por objetivo evitar o encurtamento muscular,
devido às fortes e sucessivas contrações
musculares ocasionadas pelo treinamento, enquanto que
antes do esforço físico, o alongamento tem
a finalidade de preparar o conjunto músculo - articular
para efetivar o alcance habitual de movimento. Porém,
há um consenso entre os pesquisadores de que ocorre
aumento da sensibilidade dos fusos musculares após
os esforços máximos desportivos.
Isso
sugere que não se utilize o método de flexibilidade
ativo após o esforço físico pois,
além de o cansaço influir na redução
da força dos músculos agonistas, ocorrem
mudanças no tráfego do impulso neuromotor
com prejuízo na coordenação de direcção,
o que enfraquece a técnica do exercício
de alongamento. E ainda, o músculo fatigado não
pode responder prontamente ao reflexo de proteção
neuro-muscular. Mesmo assim, há autores que preconizam
5 a 10 minutos de resfriamento após esforços
intensos, com exercícios físicos leves de
corrida e ciclismo, terminando o treino com exercícios
de alongamento Achour (1997).
Fazer
ou não fazer ?
Paulo
Zogaib, professor de medicina esportiva da Universidade
Federal de São Paulo, acredita que estudos como
o que mostra perda de força muscular podem ser
válidos para atletas de alto desempenho, mas não
teriam grande influência para esportistas amadores.
Para
ele, é importante ressaltar o papel do aquecimento
antes do alongamento. Embora preconizado por especialistas
e professores de educação física,
são poucos os praticantes que seguem a recomendação.
"Aumentar
a temperatura corpórea é necessário
para produzir energia para a contração muscular
e promover uma redistribuição do fluxo sanguíneo,
privilegiando os músculos que serão utilizados",
diz.
Zogaib
também considera controverso o alongamento dinâmico.
"Os movimentos ativam todas as estruturas musculares,
deixando-as de uma forma mais próxima da que o
corpo vai usar na atividade seguinte. Porém, como
opõem extensões com contrações,
aumentam o risco de lesão se não forem feitos
corretamente."
Ricardo
Munir Nahas, diretor científico da Sociedade Brasileira
de Medicina do Exercício e do Esporte, considera
que o alongamento dinâmico pode ser arriscado e
deve ser praticado sob supervisão por quem tem
pouca experiência. O mais importante, para ele,
é manter o bom senso. "Alongar não
dói. Se isso acontecer, é porque a pessoa
está na posição errada ou ultrapassando
os limites."
Mara
Patrícia Traina Chacon-Mikahil, professora de educação
física da Universidade Estadual de Campinas, acha
o alongamento dinâmico interessante quando prepara
o corpo para uma atividade que combine extensões
e contrações de grupos musculares opostos,
como vôlei ou futebol. "A vantagem é
possibilitar uma ativação neuromuscular
ao mesmo tempo em que ajuda a promover o aumento do metabolismo,
preparando melhor o corpo para o esforço"
Portal da Educação Física (2010).
Podemos
perceber que os termos alongamento e flexibilidade são
bem controversos a começar pelas suas definições.
Há autores que consideram alongamento apenas como
exercícios para manutenção da amplitude
articular ou como parte de um aquecimento antes de se
iniciar uma atividade física, outros já
acreditam que o alongamento é uma forma de aumentar
ou ganhar amplitude articular. Muitas das idéias
a respeito dos diferentes assuntos que envolvem os efeitos
dos exercícios de alongamento e ganho de flexibilidade,
como prevenção de lesões, alívio
de dor, alongamento pós-exercício, ainda
não estão concluídas. Em se tratando
de exercícios de alongamento após esforços
físicos, parece que o ideal são exercícios
moderados de alongamento para evitar um encurtamento muscular,
não devendo, portanto, serem utilizados exercícios
visando ganhos de flexibilidade, pois o músculo
fatigado não pode responder prontamente ao reflexo
de proteção. Quanto à prevenção
de lesões, muitos são os autores que defendem
a idéia de que o alongamento é eficiente
neste sentido, assim como outros defendem que não
existe comprovação científica neste
assunto Almeida; Jabur (2006).
Como
não existe ainda um consenso no assunto, aconselhe-se
sempre com o médico especialista e com o profissional
de Educação Física responsáveis
por seu treinamento e saúde que com certeza, serão
os mais indicados para lhe orientar.
Referências
Bibliográficas:
Achour
Júnior A. (1996) Bases para Exercícios de
Alongamento Relacionado com a Saúde e no Desempenho
Atlético. Londrina: Midiograf.
Achour
Júnior A. (1997) Avaliando a flexibilidade: manual
de instruções. Londrina: Midiograf.
Achour Jr A. (2004) Flexibilidade e Alongamento: Saúde
e Bem-estar, São Paulo : Manole.
Almeida,
T. T.; Jabur, N. M.; Mitos e verdades sobre flexibilidade:
reflexoes sobre o treinamento de flexibilidade na saúde
dos seres humanos.Motricidade 3(1): 337-344.
Alter
MJ. (1999) Ciência da Flexibilidade. Porto Alegre:
Artmed.
BLANKE,
D. (1997) Flexibilidade IN: MELLION, M.B. Segredos em
Medicina Desportiva. Porto Alegre, Artes Médicas.
p 87-92.
Bradford
M. (2004). Lifestyle: The benefi ts of stretching. Europe
Intelligence Wire 5.
Dantas
EHM. (2003) A Prática da Preparação
Física. Rio de Janeiro: Shape.
Deardorff J. (2004) When Stretching, Take It Easy, Don’t
Simple Let’er Rip. Knight Ridder / Tribune News
Service. April 16.
Geoffroy C. (2001) Alongamento para todos. São
Paulo: Manole.
Marchand
EAA. (2002) Condicionamento de flexibilidade. Disponível
em: <http: //www.efdeportes.com/ > Revista Digital
– Buenos Aires. 8(53).
Portal
da Educação Física (2010). Alongamento
pode causar perda de força, diz pesquisa. http://www.educacaofisica.com.br/noticias_mostrar.asp?id=5182
WERLANG,
C. (1997) Flexibilidade e sua Relação com
o Exercício Físico IN: SILVA, O.J. Exercícios
em Situações Especiais I. Florianópolis,
Ed. UFSC. p 51-66.
Fonte:www.paraumavidamelhor.com.br/
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