Exercícios em jejum: pode?
Malhar de estômago vazio faz mais
mal do que bem, mas também pode ter benefícios
Quem
está querendo perder peso já sabe muito
bem que é preciso combinar exercícios com
dieta. Ao comer menos, se ingere uma quantidade menor
de calorias e, ao praticar atividades físicas,
é possível gastá-las.
Com
base nessa equação simples de entender,
alguns apressadinhos na corrida pelo corpo ideal resolvem
pular o café da manhã e suar a camiseta
ainda em jejum. Mas será que todo esse sacrifício
vale a pena?
“Depende da intensidade do exercício”,
responde o nutrólogo Carlos Alberto Werutsky. Ele
esclarece que o exercício em jejum pode trazer
mais prejuízos do que benefícios, se realizado
na dose errada.
Especializado
em medicina do esporte, Werutsky apresentou uma palestra
sobre o tema no 22º Congresso Brasileiro de Medicina
do Exercício e Esporte, que termina hoje, (7/8)
em Curitiba (PR).
Fôlego
O
segredo do exercício para quem está realizando
uma dieta com redução calórica está
no controle da intensidade. Ela deve ser de leve a moderada,
e não pode passar de uma hora por dia. Uma caminhada,
por exemplo, deve ser feita sem que a pessoa chegue a
ficar ofegante.
“Tem
de conseguir conversar durante o exercício, caso
contrário a intensidade está muito elevada”,
afirma o médico.
E
se estiver mesmo elevada, o que acontece? O primeiro sinal
é uma queda no desempenho da atividade. “É
como acelerar um carro no ponto-morto, o atleta não
vai avançar”, comenta.
O
objetivo do esforço em quem aposta na dobradinha
“menos comida e mais exercícios” é
queimar aquelas gordurinhas indesejadas. Se a intensidade
está elevada demais, no entanto, elas podem permanecer
ali, quase intactas, enquanto o desgaste vai todo para
a massa muscular.
Isso
acontece quando o exercício usa toda a reserva
de carboidratos complexos do músculo, o chamado
glicogênio muscular. Sem essa reserva de energia,
o organismo começar a se utilizar da proteína
muscular para se manter funcionando. Ou seja, ele passa
a queimar a massa magra, a massa muscular, em vez de gordura.
Bom
para o gordo, ruim para o obeso
O exercício em jejum, no entanto, apresenta bons
resultados em pessoas com sobrepeso. “O organismo
retira a gordura do músculo, e o músculo
repõe essa gordura usando as reservas do tecido
adiposo (os pneuzinhos indesejados do corpo)”, descreve
o nutrólogo.
Mas
atenção: obesos não usufruem do mesmo
benefício. “O músculo tem dificuldade
em funcionar na pessoa obesa”, afirma Werutsky.
O processo benéfico a quem tem sobrepeso acontece
de forma mais lenta nos obesos. Assim, eles acabam queimando
menos gordura ao realizar a mesma atividade física.
Em contrapartida, sofrem uma perda maior de água.
“Parece que eles estão emagrecendo, mas é
apenas água que perderam”, conta.
Preparo
Você
pode acordar, escovar os dentes e sair para caminhar sem
comer nada. O exercício em jejum é válido,
dentro de algumas condições, mas precisa
ser feito com algum preparo. O primeiro deles é
um bom jantar na noite anterior. Se você comeu pouco
e acordou com muita fome, nada de exercícios antes
de se alimentar. Isso pode colocar a saúde em risco.
Fadiga e câimbras fazem parte do desjejum de quem
desobedece a essa regra.
O
sintoma seguinte também é desagradável:
tontura. Podem ocorrer até desmaios. Outra recomendação
médica é aumentar a atividade física
gradualmente, sem nunca ultrapassar uma hora de caminhada,
feita com intensidade leve a moderada.
“O
importante é ter em mente que não é
a refeição feita ou não feita antes
do exercício que vai definir o resultado da atividade
física. Emagrece que tem um balanço energético
negativo nas 24 horas do dia”, resume o nutrólogo.
Fonte:www.delas.ig.com.br
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