Dicionário
de musculação – veja os termos mais
usados
Acabou o tempo das oposições extremas, quando
musculação era ou objeto de ódio
ou de veneração. Hoje, é indispensável
para a saúde e a qualidade de vida.
Todos
devem conhecer a musculação e, principalemnte,
praticá-la. Por isso preparamos esse útil
dicionário para você não ficar perdido:
Anabolizantes
Quando usados por pessoas saudáveis, esses hormônios
sintéticos causam, além da hipertrofia muscular,
sérios danos, alerta Vladimir Modolo, do Centro
de Estudos em Psicobiologia do Exercício da Unifesp.
"O excesso de testosterona, no homem, diminui a produção
de esperma e a capacidade de ereção e causa
o crescimento das mamas; na mulher, faz crescer pelos
no corpo e no rosto e engrossa a voz. Em ambos, pode causar
problemas cardíacos e tumores", diz.
Aeróbico
e anaeróbico
Exercícios envolvendo grandes grupos musculares,
feitos de forma rítmica, como corrida, natação
e caminhada, são aeróbicos -não interferem
no suprimento de oxigênio para o organismo. Sua
prática reduz a pressão arterial, a gordura
corporal e o risco de doenças cardiovasculares.
Já a musculação é exercício
anaeróbico, de curta duração e alta
intensidade. "Entre os benefícios estão
o aumento da força e da resistência de tendões
e ligamentos, redução da gordura e aumento
da massa muscular", afirma Valmor Tricoli, professor
da Escola de Educação Física e Esporte
da USP. O ideal é praticar os aeróbicos
e anaeróbicos em dias alternados. "Cada um
causa mudanças adaptativas no corpo que ‘brigam’
entre si", diz Bernardo Neme Ide, do Labex (Laboratório
da Bioquímica do Exercício) da Unicamp.
Biomecânica
Como o nome já entrega, essa ciência investiga
o movimento sob aspectos mecânicos, suas causas
e seus efeitos no corpo. "Nos exercícios de
força, você coloca uma carga extra sobre
ossos e articulações. Nessa situação,
é fundamental observar o alinhamento dos segmentos
-como a cabeça em relação ao tronco
ou o quadril em relação aos pés-
para ativar corretamente os grupos musculares envolvidos
e evitar a formação silenciosa de lesões",
explica Luiz Fernando Alves, formado em esportes pela
USP, com especialização em biomecânica.
Segundo ele, alguns ajustes biomecânicos previnem
machucados e dores e aumentam a eficácia do treino.
Um exemplo: em qualquer exercício feito em pé,
o peso do corpo deve estar na parte anterior (frente)
dos pés. Isso facilita o trabalho dos abdominais
e distribui melhor a carga entre as vértebras da
coluna.
Creatina
Chegou neste mês às farmácias do país
um medicamento à base de creatina, aprovado para
pacientes que sofrem de distrofia muscular. O remédio
só deve ser vendido com apresentação
de receita. Presente naturalmente nos músculos
e na carne bovina, a creatina é vendida sem restrições
nos EUA e usada por atletas para melhorar a performance,
já que está envolvida no processo de contração
muscular intensa e rápida. No Brasil, vem sendo
consumida clandestinamente, mas deverá ter sua
venda como suplemento liberada até o meio do ano.
O suplemento, além de repor o estoque natural de
creatina (queimado na atividade física), faz o
atleta se recuperar mais rápido. Mas não
é indicado para qualquer um, apenas para os de
alto rendimento e modalidades esportivas específicas,
como halterofilismo. "Acredita-se que ela aumente
a massa muscular, mas, se consumida em excesso, aumenta
a quantidade de água dentro do músculo.
Isso pode sobrecarregar rins e fígado", explica
Jomar Souza, médico do esporte e presidente eleito
da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício
e do Esporte.
Descanso
O ganho de massa e força muscular ocorre após
o exercício. "Durante o treino, não
ganhamos, perdemos: para gerar a energia necessária
às contrações, as proteínas
do músculo se degradam, o que causa microlesões
no tecido e um processo inflamatório. O corpo começa,
então, um processo de recuperação
em que, além de repor as proteínas, gera
um pouco mais delas, aumentando massa muscular. Para isso,
precisamos de repouso e de alimentação adequada",
diz Dilmar Pinto Guedes Jr., do Cepe (Centro de Estudos
da Fisiologia do Exercício) da Unifesp. É
no repouso que começamos a produzir hormônios
como o IGF 1 (Fator do Crescimento do Tipo Insulina 1),
que "avisa" ao corpo que ele precisa produzir
moléculas de proteína, segundo Denise Vaz
de Macedo, coordenadora do Labex. Dormir bem também
é fundamental, para produzir o GH (hormônio
do crescimento), outra substância responsável
pela construção do tecido muscular. Para
esse processo acontecer, os músculos exercitados
não devem ser submetidos à sobrecarga por
um período que varia de 24 a 72 horas. "Se
a dor muscular causada pelo exercício ainda estiver
incomodando, é sinal de que o processo ainda não
se completou", sugere Macedo.
Explosão
O exercício de explosão exige grande quantidade
de força em alta velocidade. "São bons
para melhorar a performance em esportes, mas a definição
e a hipertrofia não são tão significativas
quanto nos exercícios convencionais de musculação",
diz Bernardo Neme Ide, do Labex. Movimentos de explosão
não são indicados para iniciantes.
Envelhecimento
Exercícios de força podem evitar, diminuir
ou reverter parte da perda muscular que ocorre na velhice.
"O aumento no volume dos músculos eleva a
sua força para as atividades físicas diárias,
dando ao idoso maior autonomia", diz a nutricionista
Mirtes Stancanelli. "As articulações
ficam mais protegidas, o equilíbrio e a postura
melhoram, diminuindo o risco de quedas", diz o cardiologista
José Kawazoe Lazzoli, presidente da Sociedade Brasileira
de Medicina do Esporte e do Exercício.
Flexibilidade
A musculação em si não diminui a
flexibilidade nem encurta os músculos, afirma Dilmar
Pinto Guedes Jr. "O que pode atrapalhar são
movimentos feitos da forma errada, levando a erros posturais
que acabam diminuindo a amplitude dos movimentos de algum
grupo muscular", diz.
Fadiga
Para realizar as contrações, usamos a energia
estocada nas células dos músculos. Quando
esse estoque acaba, por mais que o cérebro "ordene"
o movimento, o músculo para de se contrair e entramos
em fadiga muscular. "É um sistema de defesa
do músculo, que não permite que o esforço
continue após o seu limite. Se, depois disso, for
feito um descanso suficiente, ele se recupera", diz
Madolo. Mas Cohen alerta que, quando chegamos à
fadiga, já ultrapassamos nossos limites e o risco
de lesões aumenta bastante.
Fibra
rápida e fibra lenta
A musculação pode priorizar o trabalho de
um ou de outro tipo de fibra, dependendo do objetivo.
"Uma complementa a outra", diz a professora
da Faculdade de Educação Física da
Unicamp Mara Patrícia Chacon-Mikahil. Fibras musculares
"lentas" têm maior quantidade de nervos
por unidade. "Essa característica permite
que os movimentos sejam feitos com maior precisão
e controle. Assim, o músculo trabalha por mais
tempo, o risco de lesão é menor e o treino
ainda melhora a coordenação. Evita-se, dessa
forma a famosa ‘roubadinha’, que muitas vezes
machuca os ossos e as articulações",
diz Luiz Fernando Alves, treinador da clínica Força
Dinâmica. Já as fibras rápidas têm
menor número de neurônios ligados em cada
unidade. Os exercícios, para essas, duram poucos
segundos, pois elas entram em fadiga rapidamente. "Essas
fibras aumentam mais de volume que as outras, mas um grande
aumento da massa muscular só é conseguido
com cargas elevadíssimas. Se o objetivo é
a qualidade de vida, o treino deve ser feito com uma carga
adequada, para que a pessoa faça mais séries
e repetições", recomenda.
Hipertrofia
O aumento de massa muscular ocorre quando o músculo,
após "gastar" suas proteínas para
realizar as contrações, começa a
produzir novas e mais proteínas. Segundo Vladimir
Madolo, do Cepe, com exercícios, descanso e alimentação
adequados, é possível aumentar até
50% da massa muscular naturalmente -ou seja, sem o uso
de drogas anabolizantes.
Hipertensão
Segundo o cardiologista José Lazzoli, trabalhos
científicos mostram que a musculação
diminui a pressão arterial. Esse efeito é
maior no exercício aeróbico, mas, nas duas
atividades, a pressão permanece em níveis
mais baixos por 24 horas. "Há um aumento fisiológico
da pressão na hora da execução do
exercício, mas não há risco de a
musculação causar um pico hipertensivo",
afirma.
Isométrico
e isotônico
Isométrico é quando o músculo não
muda de comprimento durante o exercício: a contração
é mantida por, no mínimo, 30 segundos, sem
movimento articular. Isotônico é o exercício
mais usado nas aulas de musculação. A articulação
se move, fazendo que o músculo se contraia e se
estenda, empregando a mesma quantidade de força
para mudar o seu comprimento. "É mais usado
quando há lesões articulares, para fortalecer
o músculo antes de retornar às atividades
habituais", diz Ricardo Nahas, diretor científico
da SBME.
Joelho
Exercícios de força tanto podem detonar
quanto fortalecer e proteger os joelhos. Um cuidado é
fazer o exercício aeróbico sempre antes
da musculação, na visão do fisioterapeuta
Marcelo Semiatzh, da Força Dinâmica: "O
treino produz uma interferência neurológica
que vai dificultar o controle da perna depois, na corrida
ou na caminhada. Na cadeira extensora da sala de musculação,
por exemplo, a pessoa fica estendendo a tíbia e
forçando a hipertensão do joelho. Se ela
sai dali para caminhar, vai reproduzir esse movimento
na marcha e expor o joelho a um risco maior", argumenta
Semiatzh. Na concepção dele, é importante,
também, observar a rotação externa
dos joelhos durante os exercícios, tentando vencer
a tendência que temos de virar os joelhos para dentro
quando realizamos os movimentos ou mesmo quando estamos
parados de pé.
Lesões
Realizar movimentos repetitivos da forma errada, não
respeitar o período de descanso para a recuperação
do músculo e usar cargas muito pesadas são
as principais causas das lesões relacionadas à
musculação. "Um movimento que desloca
a articulação para um lado errado repetido
cronicamente pode fazer com que, em atividades cotidianas,
como andar, a articulação posicione o sistema
musculoesquelético de forma inadequada, prejudicando
não só a articulação como
a postura como um todo", diz Madolo. O movimento
ou a postura errada podem fazer com que outro grupo muscular,
não envolvido diretamente no exercício que
está sendo realizado, faça movimentos compensatórios,
para suportar o esforço, e acabem se lesionando.
Os
movimentos repetitivos também podem fazer com que
as microlesões nos músculos e nas articulações
aumentem e que o processo inflamatório, que é
a resposta do corpo para se recuperar dessas lesões,
se torne crônico. "Além da inflamação
crônica, isso pode levar à ruptura do músculo
ou do tendão", acrescenta Madolo. Se as microlesões
se cronificarem nos tendões, podem virar tendinite
(inflamação no local) ou tendinose, que
é a degeneração do tendão,
segundo Nahas.
A ruptura do músculo também pode ocorrer
quando ele é submetido à uma carga para
a qual ainda não está adaptado. "O
excesso de peso sobre a musculatura pode causar ruptura
ou distensão muscular, ruptura ou inflamação
do tendão ou fratura óssea por estresse",
diz Moisés Cohen. O esforço repetitivo também
pode levar à fratura óssea por estresse,
segundo ele.
Multiarticulares
São os exercícios que movimentam mais de
uma articulação e, por consequência,
mais de um grupo muscular. Estão mais próximos
dos movimentos fisiológicos, que incluem várias
cadeias musculares realizando forças opostas, de
contração e extensão. "Os multiarticulares
são mais complexos, ativam mais o circuito neuromuscular
e neuromotor e facilitam a aquisição da
‘memória’ do movimento, já que
correspondem melhor à forma com que nos movimentamos
nas atividades habituais", diz Nahas.
Neuromuscular
e neuromotor
O sistema neuromuscular é a ligação
do cérebro com os músculos, que faz o movimento
ou o gesto acontecer. "O cérebro manda a mensagem
‘contrair’ e os neurônios a levam até
o músculo. Ela chega às terminações
nervosas dos músculos e articulações,
o sistema neuromotor, que responde com o movimento",
diz Madolo. Ou seja, todo trabalho de musculação
começa na cabeça. A forma inteligente de
treinar é imaginar antes o movimento que será
executado, ativando assim o sistema neuromuscular e favorecendo
a postura e a execução corretas do movimento.
"Além disso, pesquisas apontam que esse trabalho
cerebral prévio aumenta a estimulação
das fibras musculares, o que teoricamente pode aumentar
o ganho de massa muscular", conta Madolo.
Osteoporose
A musculação previne e combate a perda da
densidade do osso, que caracteriza a osteoporose. "Ela
funciona como uma poupança: a pessoa perde menos
músculo e de forma mais lenta, mantendo a boa qualidade
do osso", diz Márcio Passini, presidente do
Comitê de Doenças Osteometabólicas
da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.
Segundo
ele, quem tem osteoporose deve trabalhar os abdominais
e a musculatura da cintura, para fortalecer a coluna,
e fazer exercícios de marcha com peso, para beneficiar
o quadril –regiões mais atingidas pela perda
óssea.
Proteínas
Se os músculos aumentam de volume, é preciso
consumir mais proteínas. Mas nem tanto. "Quem
frequenta a academia e está aumentando a massa
muscular precisa consumir entre 1,4 g e 2 g de proteína
por quilo de peso", diz Scantanelli. Por exemplo:
quem pesa 70 kg supre essa necessidade diária com
1 xícara de leite, 1 pote de iogurte, 100 g de
filé de frango, 100 g de peixe e 30 g de queijo
(nada que supere um padrão normal de refeições).
"O corpo não faz reserva de proteína.
O excesso é eliminado pela urina, usado para produção
de energia ou vai se acumular em forma de gordura",
diz Denise Denise Vaz de Macedo, do Labex. Como o excesso
de proteína também atua no processo de formação
de cristais, pode levar à formação
de pedras nos rins, segundo Scantanelli.
Propriocepção
É a capacidade de perceber a posição
e o movimento do corpo no espaço e adaptar articulações
e músculos para manter o equilíbrio. "Nos
ligamentos, temos neurônios que informam ao cérebro
que movimento articular é necessário para
manter a estabilidade", diz Nahas. Fazer exercícios
de força sobre uma bola, por exemplo, aumenta a
capacidade proprioceptiva. Implica maior consciência
corporal e senso de equilíbrio.
Postura
Certinho, certinho, ninguém é. Mas, na hora
de começar um trabalho com pesos, é bom
prestar muita atenção à postura.
O ideal seria que, antes, a pessoa passasse por uma avaliação
postural séria. "Os desvios, assimetrias e
compensações posturais de cada um precisam
ser considerados para que o treino seja ajustado àquele
corpo e não agrave um quadro que pode levar a uma
lesão crônica. É importante detectar
as alterações posturais de cada pessoa,
para ensiná-la a treinar de um jeito que corrija
aquela condição e não sobrecarregue
áreas do corpo que, por causa da postura dela,
já são muito exigidas no dia a dia",
diz o treinador Luiz Fernando Alves.
Peso
livre
Os pesos e as barras livres são normalmente indicados
para quem já tem familiaridade com musculação,
porque exigem mais coordenação entre os
músculos envolvidos. "É melhor estar
acompanhado ao fazer peso livre porque, se houver uma
falha muscular ou a pessoa não aguentar o peso,
ela não pode largá- lo, como no aparelho.
Alguém tem que tirar o peso", afirma Valéria
Bonganha, do Laboratório de Fisiologia do Exercício
da Faculdade de Educação Física da
Unicamp. A barra livre permite trabalhar a coordenação
muscular. Quanto maior a coordenação, maior
a carga que se consegue levantar. "Isso é
importante no dia a dia e para quem quer hipertrofiar",
diz Valéria Bonganha.
Qualidade
de vida
Apesar de ser o efeito mais visível da musculação,
a questão estética é só uma
das consequências, e não a mais importante,
segundo Ricardo Nahas. "O fortalecimento muscular
permite que realizemos melhor todas as atividades do dia
a dia, ajuda a prevenir lesões nos esportes, manter
a massa óssea etc.", diz. O fortalecimento
muscular também é indicado para tratamento
e controle de artrose. "A musculatura mais desenvolvida
absorve o impacto sobre as articulações,
protegendo-as", diz o ortopedista Ricardo Cury. Também
facilita o trabalho do coração, por melhorar
o retorno do sangue das extremidades do corpo para o coração.
Repetições
Fazer mais repetições com pesos mais leves
ou menos repetições com mais carga tem efeito
similar na perda de peso e gordura. Segundo Dilmar Pinto
Guedes Jr., do Cepe, mais repetições com
pesos leves desenvolvem mais resistência, e menos
exercícios com mais carga levam à maior
hipertrofia. "Para quem quer apenas manter a massa
muscular, é indicado fazer mais repetições
com menos pesos", diz Ricardo Cury, médico
do esporte e ortopedista da Santa Casa de São Paulo.
Refeições
Não vale comer mal e achar que se garante com isotônico.
"A alimentação ao longo do dia gera
reservas que fazem diferença. Se a pessoa treina
de manhã, é o carboidrato que comeu no jantar
que faz efeito. Quando treina cheia de carboidratos, não
perde massa", diz a nutricionista Cynthia Antonaccio.
O ideal é repor os nutrientes na primeira hora
pós-treino. "As janelas do organismo estão
abertas e sedentas. Os nutrientes serão aproveitados,
e não estocados em forma de gordura. E o organismo
se recupera mais rápido", diz Scantanelli.
Só não vale exagerar: 30 g a 60 g de carboidrato
bastam.
Sobrecarga
O músculo cria novas fibras quando submetido ao
esforço do peso extra. E não são
só os pesos livres, caneleiras ou aparelhos que
proporcionam essa sobrecarga. O peso do próprio
corpo também cumpre a função. A carga
máxima é o maior peso que a pessoa consegue
levantar uma única vez. "No treino voltado
para a saúde, a sobrecarga é de 40% a 50%
da carga máxima para cada pessoa", diz Lazzoli.
Suplemento
A suplementação de vitaminas e minerais
não é consenso no Brasil, mas há
profissionais que a defendem. "Considero prudente
incluir um polivitamínico para preencher o que
as pesquisas mais recentes mostram: o brasileiro não
consome o suficiente de verduras e frutas", afirma
Cynthia Antonaccio. O bioquímico Júlio Tirapeg,
autor de "Nutrição, Metabolismo e Suplementação
na Atividade Física" (ed. Atheneu), discorda.
Segundo ele, só atletas de ponta, que fazem do
esporte sua profissão, devem recorrer à
suplementação. "Senão, é
perda de tempo e dinheiro. O suplemento faz bem quando
a pessoa tem alguma deficiência nutricional."
Tônus
Rigorosamente, tônus é o mínimo de
contração que o músculo tem mesmo
em repouso. "Só perdemos o tônus quando
morremos. Essa ideia de ‘tonificar’ os músculos
é algo que as academias vendem, mas não
quer dizer nada", afirma Madolo. A expressão
começou a ser usada para dissociar a musculação
dos excessos da hipertrofia. Quem não quer músculos
saltados diz só querer tonificá- los. "Sempre
que há trabalho de força eficaz, há
algum aumento do músculo", diz ele. Tonificar,
então, é usado para indicar uma hipertrofia
leve ou moderada. Já a "definição
muscular" é, segundo Madolo, o ganho moderado
de massa.
Treino
funcional
É um treino de força em que vários
grupos musculares são envolvidos para a execução
de cada exercício -como nos movimentos que realizamos
no dia a dia ou para a prática de algum esporte.
Para desenvolver força, são usados vários
grupos musculares ao mesmo tempo. "O treino funcional
utiliza elásticos, roldanas ou o peso do próprio
corpo, que impõem uma sobrecarga menor ao corpo",
diz Cohen. Segundo Cury, o trabalho global -que inclui
todos os grupos musculares- diminui o risco de lesões.
Vigorexia
Querer ficar cada vez mais forte e aumentar os músculos
em proporções não naturais, a qualquer
custo, é doença e tem nome: vigorexia. Todo
vigoréxico faz exageradamente musculação.
Não necessariamente porque goste do exercício
em si, mas por esse ser um meio indispensável para
atingir o seu objetivo de corpo ideal. Como só
os exercícios não são suficientes,
por causa da imagem corporal distorcida, essas pessoas
começam a utilizar drogas anabolizantes que colocam
a saúde em risco e causam alterações
de humor, como depressão e ansiedade", diz
Madolo. A prevalência do distúrbio é
maior em homens, mas o número de mulheres com vigorexia
está crescendo. O tratamento é feito com
terapia cognitivo-comportamental.
Varizes
Embora a musculação favoreça a circulação
de retorno (que traz o sangue das extremidades do corpo
de volta ao coração), o que favorece o sistema
circulatório, o peso usado no exercício
e a hipertrofia dos músculos também sobrecarregam
esse sistema, que tem de trabalhar mais. Isso pode causar
um aumento do calibre das veias e, em algumas pessoas,
deixá-las saltadas, segundo Cohen.
Zinco
e magnésio
O zinco, presente em carnes vermelhas, feijão e
ovos, tem participação importante na renovação
celular. A deficiência de magnésio pode prejudicar
os exercícios, porque o mineral está envolvido
na produção de energia e na contração
e no relaxamento muscular. Está presente em cereais
integrais e verduras verde-escuro. Segundo a nutricionista
Mirtes Scantanelli, esses minerais melhoram o ganho de
massa muscular porque, teoricamente, favoreceriam a restauração
mais rápida das células de proteína.
"Mas não há evidência de que
o consumo de suplementos acelere a renovação
das células", diz. Além disso, o corpo
absorve e aproveita melhor esses nutrientes quando consumidos
na forma de alimentos.
Fonte:
Folha on Line, Iara Biderman, 22/04/2010
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