Minha
amiga bicicleta
Andar de bicicleta faz bem não apenas
ao planeta e à conta bancária — à
saúde e à boa forma também. Use a
bike para transformar seu corpo numa máquina de
queimar gordura.
por Thais Szegö

Numa
só tacada, as pedaladas aliviam o stress, conservam
o meio ambiente, poupam dinheiro e trazem benefícios
ao corpo. Comecemos pelas calorias: pedalar queima de
500 a 800 por hora. Eficiente no metabolismo da gordura,
elimina os pneuzinhos, além de fortalecer e definir
os membros inferiores. “Em apenas dois meses de
prática, há um aumento de 25% na força
muscular das pernas”, afirma a instrutora de ciclismo
indoor Fernanda Cristillo, de São Paulo. Dependendo
do treino, é possível engrossar as pernas
— alta carga e ritmo lento — ou afinálas
— baixa carga e ritmo acelerado. Bumbum, barriga
e lombar também são exigidos.
Na
parte superior do corpo, braços e ombros trabalham
em terrenos acidentados e na academia. Na saúde,
a bike melhora a coordenação motora e previne
a osteoporose. “A modalidade também combate
doenças crônicas pulmonares, cardiovasculares
e metabólicas, além de diabetes e câncer
de mama e de cólon”, afirma o cardiologista
José Kawazoe Lazzoli, presidente da Sociedade Brasileira
de Medicina do Exercício e do Esporte.
Quer
mais? Prepare-se para ganhar uma dose extra de energia.
Segundo um estudo da revista Psychotherapy and Psychosomatics,
pedalar aumentou o pique dos voluntários em 20%
e diminuiu sua fadiga em 65%. Por quê? “O
ciclismo estimula a liberação do neurotransmissor
dopamina, um energizante natural”, afirma o autor
da pesquisa, Patrick O’Connor, da Universidade da
Geórgia, nos EUA.
Quem
está acima do peso tem uma razão extra para
aderir à bike: ela é mais gentil com as
articulações do que esportes com maior impacto.
“Trata-se de uma opção intermediária
entre a caminhada e a corrida”, diz o ortopedista
Ricardo Cury, do Grupo de Cirurgia do Joelho da Faculdade
de Medicina da Santa Casa de São Paulo. “O
ciclismo reforça a musculatura dos membros inferiores
e reduz o risco de lesões.” Contraindicações
apenas para quem tem problemas na coluna, no joelho ou
no tornozelo — nesse caso, procure um médico.
Calcule
a sua frequência cardíaca máxima
FCM = 189 - (0,56 x idade)
Multiplique o resultado por 0,75 para descobrir a frequência
ideal para a atividade aeróbica.
Para
contabilizar as rotações por minuto
Enquanto estiver pedalando, conte quantas vezes o seu
joelho toca a sua mão por 6 segundos. O número
deve estar entre 6 e 11. Então, multiplique esse
valor por 10.
Para
baixar o ponteiro da balança, comece pedalando
em um ritmo leve, cadenciado e constante no plano, por
pelo menos 30 minutos. Dessa maneira, o corpo funciona
com uma frequência cardíaca mais baixa, utilizando
apenas a gordura como combustível. Quando tiver
mais fôlego, alterne terrenos planos com subidas.
Caso não haja ladeiras por perto, use as marchas
mais pesadas. “Outra variante é o vento,
que pode dificultar ou facilitar o exercício”,
diz o educador físico Fabio Lorencone Schauff ,
especialista em ciclismo.
Quem
ainda não tem fôlego para girar o pedal por
meia hora deve iniciar com menos tempo e aumentar progressivamente
— o objetivo é chegar a 1 hora. Uma boa estratégia
para iniciantes é alternar 5 minutos de ritmo intenso
com 5 minutos de ritmo leve, treino campeão na
queima de calorias. Ja é condicionada? Adicione
subidas ao percurso, intercaladas com trechos no plano
para aumentar a capacidade cardiorrespiratória
e tonificar pernas e bumbum.
Entre
quatro paredes Se pedalar na rua é assustador,
escolha a prática indoor. “Em termos de treinamento,
o ciclismo indoor e o outdoor não são tão
diferentes”, afirma Flavia Lunezo, professora de
spinning, de São Paulo. Seguras, as aulas em academia
— em bicicletas estacionárias, com música,
ar condicionado, telões e luzes estroboscópicas
— são interessantes para quem gosta de atividades
dinâmicas. “Em quatro paredes não é
preciso fazer paradas em cruzamentos, que prejudicam a
continuidade do exercício”, compara Fernanda
Cristillo. O ciclismo indoor também é bacana
para iniciantes que não sabem se equilibrar na
magrela. Afinal, na classe há mais controle sobre
as variáveis.
Antes
de pedalar, ajuste o banco da maneira correta: suba na
bike e verifique se os pés tocam o solo. A altura
ideal é aquela que apenas permite encostar a ponta
dos dedos no chão. Outra maneira de verificar a
posição é sentar-se na magrela e
apoiar o calcanhar no pedal que está mais baixo.
Os joelhos devem ficar semiflexionados. Posicionar o banco
de maneira inadequada é perigoso. Se estiver muito
alto, os quadris são prejudicados. Caso esteja
muito baixo, são os joelhos que correm risco.
Na
rua, preste atenção no trânsito. “Nada
de disputar espaço com os carros”, alerta
Ricardo Cury. Se não houver uma ciclovia disponível,
vá para a rua, corrigindo a trajetória sem
fazer movimentos bruscos. Mantenha os dedos no freio e
olhe sempre para onde deseja ir. “Usar uma roupa
clara e colorida também é recomendável,
em epecial após o pôr do sol”, acrescenta
Silvia Viana Rodrigues, vicecoordenadora do Saia na Noite,
grupo de mulheres que pedala pelas ruas de São
Paulo.
Viu
só? Não é porque você não
pode trocar as quatro rodas por duas sempre — seja
por trabalhar longe, recear chegar suada ao escritório,
seja por ter medo de acidentes — que precisa deixar
a bike enferrujar. Você pode se reunir com um grupo
de pedal uma vez por semana ou subir na magrela para buscar
pão na padaria. Quando começar a sentir
os benefícios do exercício, vai querer mais
e mais.
Fonte:
http://www.revistawomenshealth.abril.com.br/
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