Quem
se movimenta é muito mais feliz
A liberação
de substâncias químicas durante a atividade
física ajuda a reduzir o estresse e aliviar a ansiedade
Seis
horas da manhã. O despertador toca e você tem
vontade de arremessá- lo pela janela. Ou, então,
de virar para o lado e continuar a dormir. Mas, após
alguns minutos de relutância, resolve se levantar
da cama e fazer a sua caminhada matinal. "A parte mais
difícil do exercício físico é
sempre começar. Depois que começa, ninguém
mais quer parar", constata o professor de Educação
Física Nuno Cobra, preparador físico, entre
outros, de Rubens Barrichello.
Mas
ninguém precisa ser piloto de Fórmula 1
para saber que a prática regular de exercício
físico traz benefícios para a saúde.
Combate a obesidade, alivia o estresse, aumenta a resistência,
melhora o humor, fortalece os ossos... Melhora o humor?
Mas como? "A prática de exercícios
físicos aumenta o nível de neurotransmissores,
como a noradrenalina, a serotonina e a dopamina, que produzem
uma sensação de relaxamento e bem-estar
no indivíduo", explica o neurofisiologista
Ricardo Mario Arida, da Unifesp.
Segundo
os médicos, assim que o indivíduo começa
a praticar um exercício físico, o sistema
nervoso central já libera, na corrente sanguínea,
substâncias que ajudam a acabar com o mau humor
de qualquer um. A certa altura, essa produção
atinge um determinado patamar, que torna a sensação
de relaxamento e bem-estar perceptível. O melhor
de tudo é que essa sensação prazerosa
tende a permanecer mesmo depois de terminado o exercício.
Abaixo a depressão!
Um detalhe curioso, segundo o cardiologista José
Kawazoe Lazzoli, presidente da Sociedade Brasileira de
Medicina do Exercício e do Esporte (SBME), é
que a serotonina, uma das substâncias produzidas
pelo sistema nervoso, "faz parte do mecanismo de
ação de diversos medicamentos antidepressivos".
"A falta desse neurotransmissor é uma das
principais causas da depressão", completa
o biomédico Maurício de Mello Martinho,
do Centro de Estudos de Fisiologia do Exercício
(CEFE).
Por
essa razão, a prática regular de exercícios
físicos - pelo menos 30 minutos por dia, cinco
dias por semana - costuma ser indicada para portadores
de ansiedade e depressão. "A prática
regular de exercícios físicos está
associada à melhora de diversas funções
cognitivas, como memória e raciocínio, além
de atuar também como um excelente ansiolítico
e antidepressivo", observa o cardiologista José
Lazzoli.
Mas,
para os exercícios físicos surtirem o efeito
desejado em pacientes ansiosos ou deprimidos, a série
não pode ser das mais puxadas. "O recomendável
é que o exercício seja difícil, mas
não impossível de ser executado. Você
nunca vai tirar um indivíduo da depressão
se propuser uma série que ele jamais conseguirá
cumprir. Em vez de melhorar a situação,
você vai agravar o quadro depressivo do paciente",
pondera Nuno Cobra.
Efeito
anestésico
Das muitas substâncias produzidas pelo corpo durante
os exercícios físicos, uma chama a atenção
em especial: a endorfina. Ao contrário das demais,
ela promove alívio das dores após uma determinada
carga de exercícios. Não por acaso, a palavra
é uma junção de "endo"
e "morfina". Ou seja, a endorfina costuma ser
descrita, por alguns especialistas, como uma espécie
de "analgésico natural" já presente
no corpo humano.
Mas
não são todos os exercícios físicos
que provocam no indivíduo aquela indescritível
sensação de relaxamento e bem-estar. "Os
predominantemente aeróbicos são os mais
eficientes nesses casos", assegura o fisiologista
Raul Santo de Oliveira, também da Unifesp. Entre
os "predominantemente aeróbicos", ele
cita três mais comuns: caminhada, corrida e natação.
Mas enfatiza: "O melhor esporte que existe é
aquele que o indivíduo pratica por prazer. "
Por
isso mesmo, nada de obrigar um sujeito que gosta de canoagem
a fazer judô. Ou que adora tênis a praticar
hipismo. "Algumas pessoas preferem esportes individuais.
Outras, coletivos. Alguns, esportes terrestres. Outros,
aquáticos. O segredo é adequar as exigências
(físicas e psíquicas) do esporte ao nível
das capacidades (físicas e psicológicas)
do atleta", ensina Renato Miranda, especialista em
Psicologia do Esporte pela Universidade Federal de Juiz
de Fora (UFJF). "Por fim, para saber se um esporte
terá consequências positivas no humor de
um indivíduo, basta seguir o provérbio:
'identifique-se com tudo o que você ama e preencha
com isso a sua vida'", diz.
O
"humorômetro" da atividade física
Para aproveitar da melhora no humor, não é
preciso ficar horas a fio na academia. Veja quais atividades
cotidianas já garantem o máximo de satisfação
e bem-estar.
? Fazer compras no supermercado
? Praticar jardinagem
? Levar o cachorro para passear
? Descer e subir as escadas do prédio, em dias
de chuva
? Caminhar pelo shopping em ritmo acelerado
? Fazer bicicleta ergométrica em casa
? Matricular-se em curso de dança de salão
? Caminhar na praça próxima de casa e fazer
novas amizades
? Jogar futebol com os amigos
? Passear de bicicleta com a família
5
dicas para melhorar a forma física
1. Mais importante do que escolher o exercício
certo é praticá-lo na intensidade adequada.
Exercício físico em excesso pode ser tão
(ou mais) prejudicial à saúde quanto a falta
dele.
2. Procure começar bem devagar e vá aumentando,
gradualmente, o seu nível de esforço. Exercite-se
até ficar ligeiramente ofegante, mas, em hipótese
nenhuma, completamente sem fôlego.
3. Tente classificar a intensidade de seu exercício
físico numa escala de zero a dez. Nela, o zero
será atribuído ao repouso e o dez, à
exaustão. O ideal é que a sua intensidade
fique entre seis e sete.
4. Aumente em cerca de 10% o tempo ou a distância
que você percorre por semana. Caso sinta desconforto,
reconsidere a primeira meta estipulada até melhorar
a sua resistência física.
5. Para aumentar o seu rendimento, procure praticar mais
de um tipo de exercício físico. Variar entre
modalidades esportivas melhora os resultados tanto anatômicos
quanto fisiológicos.
Fonte:
http://revistavivasaude.uol.com.br/
|