Maioria
ignora médico e sofre lesão ao malhar
Para
começar a frequentar a academia não basta
encontrar tempo, ter força de vontade e comprar
um bom par de tênis. Fazer uma avaliação
médica completa é essencial para prevenir
acidentes e lesões, mas o procedimento é
deixado de lado por 90% dos atletas iniciantes de São
Paulo. Esse é o resultado de um levantamento da
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo
com base nos pacientes atendidos em 2010 pelo Ambulatório
Médico Esportivo do Hospital Estadual Ipiranga,
na zona sul da capital.
Responsável
pela pesquisa, o médico do esporte Ricardo Galotti
conta que já esperava que esse número fosse
alto, mas se surpreendeu com o índice de 90%. Ele
reuniu informações de atletas e iniciantes
colhidas no próprio ambulatório, no qual
atua como coordenador, e também em eventos esportivos.
"É uma questão cultural. As pessoas
não costumam ir ao médico quando não
estão doentes. Além disso, muitas academias
não exigem atestado médico. A pessoa faz
a matrícula e começa a se exercitar."
Participaram
do levantamento 700 pacientes atendidos no ambulatório
em 2010, dos quais 60% praticavam futebol, 20% atletismo,
10% artes marciais e outros 10% praticavam modalidades
diversas, como voleibol, skate e surfe. "Se uma pessoa
com patologias cardíacas praticar um esporte que
exija muito esforço, é possível ter
complicações que podem levá-la à
morte. As patologias ortopédicas também
podem piorar com uma atividade física inapropriada",
explica Galotti.
De
acordo com o médico Jomar Souza, especialista em
medicina do esporte e diretor da Sociedade Brasileira
de Medicina do Exercício e do Esporte (SBME), os
exames ‘pré-malhação’
têm duas funções essenciais: prever
se determinado exercício poderia colocar a vida
da pessoa em risco e verificar se o futuro esportista
é vulnerável a lesões ósseas
e musculares, no caso de ele ter problemas de postura
ou de flexibilidade.
"Se
pensarmos na atividade física como um remédio,
fica fácil perceber que a dosagem inadequada pode
ter efeitos colaterais nocivos, por isso é importante
fazer uma avaliação para saber qual é
a melhor atividade", diz Souza.
De
acordo com a educadora física Regina Bento Oliveira,
coordenadora técnica de uma rede de academias da
cidade, o maior risco para quem não faz o exame
médico antes de começar um exercício
são as chamadas doenças silenciosas. "O
problema são doenças como hipertensão
e diabete, que podem aparecer tanto em crianças
de 12 anos de idade como em pessoas adultas que não
têm nem histórico familiar", explica.
Galotti completa que é muito comum uma doença
cardíaca começar a se manifestar durante
os exercícios, sem que isso nunca tenha acontecido
antes.
Sem
orientação. No caso da historiadora Bianca
Rios, de 26 anos, que começou a fazer musculação,
aeróbica e esteira há duas semanas, a consulta
ao médico foi deliberadamente evitada. "Na
verdade, eu nem posso fazer academia, pois tenho duas
hérnias de disco. Mas, como quero ficar em forma,
comecei assim mesmo e até agora estou gostando",
admite. Ela contou ao instrutor sobre seu problema e diz
que ele está evitando indicar exercícios
que comprometam a região lombar.
"Não
fui ao médico porque sabia que ele não iria
liberar os exercícios. Além disso, é
muito difícil conseguir consulta pelo meu convênio",
garante a historiadora. No último mês ela
está arriscando até mesmo alguns exercícios
na plataforma Wii Fit (jogos de videogame que simulam
exercícios físicos).
Joelhos
são as áreas mais frágeis. Uma boa
avaliação médica pré-exercício
engloba exames cardiovasculares, exames de sangue e testes
ortopédicos. Para o médico do esporte Jomar
Souza, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do
Exercício e do Esporte (SBME), essa avaliação
ajuda o instrutor da academia a desenvolver um plano de
exercícios personalizado e adequado.
"A
pessoa já vai chegar à academia com algumas
orientações sobre o que pode e o que não
pode ser feito. Os exames mostram qual é seu perfil
corporal, sua flexibilidade", explica. A educadora
física Regina Bento Oliveira acredita que o trabalho
em conjunto entre o médico e o instrutor beneficia
muito o aluno. "É importante que ele traga
um exame atualizado para eu saber em que pontos posso
forçar e direcionar o treino", acredita.
Segundo
Regina, geralmente existe uma falta de comunicação
entre os profissionais relacionados às atividades
físicas. "Quando tenho alguma aluna com um
problema, sempre pego o telefone do médico e entro
em contato. Deve ser um trabalho multidisciplinar",
avalia.
De
acordo com o estudo realizado pela Secretaria de Estado
da Saúde, 70% das lesões ocorridas durante
o exercício acometem o joelho do praticante, mas
há outros alvos fáceis. "Tendinites,
lesões nos ligamentos e dores na coluna também
são muito comuns", enumera o médico
do esporte Ricardo Galotti, diretor do Ambulatório
Médico Esportivo do Hospital Estadual Ipiranga
e autor do levantamento.
Segundo
Galotti, ocorrências cardiovasculares, embora sejam
mais graves, ocorrem com muito menos frequência
durante a prática de exercícios físicos.
A avaliação física pode ser feita
por um médico do esporte, um ortopedista, um cardiologista
ou mesmo um pediatra, no caso das crianças.
Para
os médicos da área esportiva, a maioria
das pessoas, mesmo as que têm lesões como
a de Bianca, pode fazer alguma atividade física.
"A quantidade de patologias que impedem totalmente
a atividade física é baixíssima.
A gente sempre encontra uma atividade adequada a cada
pessoa e, se ela faz questão de fazer determinada
modalidade, passamos orientações sobre como
deve praticá-la para não agravar seus problemas",
diz Souza.
COM
CUIDADO
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Exercícios, quando orientados, são benéficos
para a saúde. A Organização Mundial
de Saúde indica 150 minutos por semana;
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Se essa recomendação fosse seguida, cerca
de 25% dos casos de câncer de mama e de cólon
poderiam ser evitados, segundo dados da União Internacional
para o Controle de Câncer;
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Exercícios também ajudam a manter o peso
saudável e a controlar diabete e hipertensão.
Fonte:
http://www.pheventosbr.com.br/
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